quinta-feira, 12 de maio de 2011

RELATO LIBRE - CNA PERÚ

Campesinas con autoestima fortalecida, mejoraran su producción agraria y armonía familiar



Campesinos de ocho federaciones agrarias regionales de la Confederación Nacional Agraria (Huánuco, Junín, Ica, Lima, Ancash, Ayacucho, Apurímac y Cusco, mejoran su nivel de producción agropecuaria después de haber fortalecida su autoestima y desde la práctica de valores humanos, como la equidad entre hombres y mujeres, logrando la armoniosidad entre los miembros de la familia, mejorando sustancialmente la seguridad alimentaria.

En las diferentes acciones de capacitación como Talleres, intercambio de experiencias, pasantías, encuentros, días de campo, asambleas etc, se considera como un tema, el enriquecimiento de los diverso valores y ponerlo en práctica en forma participativa mediante dinámicas los mismos que conlleva a mejorar, fomentar y promover la acción colectiva, la autoestima y la responsabilidad social acercando a los miembros de las comunidades por medio de la confianza, la reciprocidad y el respeto a las reglas del juego que son necesarias para el proceso del desarrollo económico y social sostenible de de las familias campesinas, el mismo que contribuye a disminuir la violencia intrafamiliar especialmente a las mujeres, niños y niñas.



Estas actividades nos ha demostrado que es clave el tratamiento de los valores entre los hombres y mujeres, a su vez van conociendo que tienen derechos y deberes de compartir las tareas del hogar, colaborando mutuamente para la crianza y cuidado de sus hijos e hijas y el bienestar de toda la familia y la comunidad, lo que conlleva a construir relaciones justas entre hombres y mujeres, desarrollando capacidades y desempeñando roles comunes, sobre todo, cuando ambos se complementan solidariamente.

Algunas formas que contribuyo a este cambio:



• Comienzan a identificarse ¿Quién soy yo? Como me relaciono con mi entorno social? primeramente con la familia y desde allí a construir relaciones más armoniosas e igualitarias entre hombres y mujeres.
• Educan a sus hijos e hijas con el ejemplo para que se desarrollen en igualdad de condiciones y oportunidades, compartiendo responsabilidades de acuerdo a su edad y sus capacidades, con mutuo respeto y valoración.
• Hombres y mujeres van asumiendo sus compromisos sociales para el impulso de los proyectos en beneficio de su familia y de la comunidad
• En el proceso van reconociendo sus derechos de hombres y mujeres de todas las edades, niñas, niños, jóvenes y adolescentes, personas adultas mayores y personas con capacidades diferentes.

De esta manera vamos construyendo una sociedad donde se reconoce que:
a. Mujeres y hombres somos personas, con igualdad de derechos y deberes en la pro creación de hijos e hijas.
b. Ambos saben, que su deber es desempeñar tareas productivas y reproductivas en el hogar.
d. Ambos toman decisiones y ejercen cargos y responsabilidades de dirección y liderazgo con igualdad de eficiencia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Casa Fonte Colombo promove Vigília em Porto Alegre

A Casa Fonte Colombo - Centro de Promoção da Pessoa Soropositiva, promove neste dia 15 de maio uma Vigília em memória das vítimas da epidemia de AIDS em Porto Alegre.

Supremo reconhece união estável de homossexuais

Casais gays podem ter assegurados direitos, como pensão e herança.
Em decisão unânime, ministros do STF defenderam os direitos de gays.
Débora SantosDo G1, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, nesta quinta-feira (5) a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. Na prática, as regras que valem para relações estáveis entre homens e mulheres serão aplicadas aos casais gays. Com a mudança, o Supremo cria um precedente que pode ser seguido pelas outras instâncias da Justiça e pela administração pública.

O presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, concluiu a votação pedindo ao Congresso Nacional que regulamente as consequência da decisão do STF por meio de uma lei. “O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem que se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão da Corte seja justificada. Há, portanto, uma convocação que a decisão da Corte implica em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa para a qual parece que até agora não se sentiu muito propensa a exercer”, afirmou Peluso.

De acordo com o Censo Demográfico 2010, o país tem mais de 60 mil casais homossexuais, que podem ter assegurados direitos como herança, comunhão parcial de bens, pensão alimentícia e previdenciária, licença médica, inclusão do companheiro como dependente em planos de saúde, entre outros benefícios.

Em mais de dez horas de sessão, os ministros se revezaram na defesa do direito dos homossexuais à igualdade no tratamento dado pelo estado aos seus relacionamentos afetivos. O julgamento foi iniciado nesta quarta-feira (4) para analisar duas ações sobre o tema propostas pela Procuradoria-Geral da República e pelo governo do estado do Rio de Janeiro.

Em seu voto, o ministro Ayres Britto, relator do caso, foi além dos pedidos feitos nas ações que pretendiam reconhecer a união estável homoafetiva. Baseada nesse voto, a decisão do Supremo sobre o reconhecimento da relação entre pessoas do mesmo sexo pode viabilizar inclusive o casamento civil entre gays, que é direito garantido a casais em união estável.

A diferença é que a união estável acontece sem formalidades, de forma natural, a partir da convivência do casal, e o casamento civil é um contrato jurídico formal estabelecido entre suas pessoas.

A lei, que estabelece normas para as uniões estáveis entre homens e mulheres, destaca entre os direitos e deveres do casal o respeito e a consideração mútuos, além da assistência moral e material recíproca.

Efeitos da decisão

A extensão dos efeitos da união estável aos casais gays, no entanto, não foi delimitada pelo tribunal. Durante o julgamento, o ministro Ricardo Lewandowski foi o único a fazer uma ressalva, ao afirmar que os direitos da união estável entre homem e mulher não devem ser os mesmos destinados aos homoafetivos. Um exemplo é o casamento civil.

“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marca da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”, disse Lewandowski.

“Não temos a capacidade de prever todas as relações concretas que demandam a aplicabilidade da nossa decisão. Vamos deixar isso para o caso a caso, nas instâncias comuns. A nossa decisão vale por si, sem precisar de legislação ou de adendos. Mas isso não é um fechar de portas para o Poder Legislativo, que é livre para dispor sobre tudo isso”, afirmou o relator do caso, ministro Ayres Britto.

"Esse julgamento marcará a vida deste país e imprimirá novos rumos à causa da homossexualidade. O julgamento de hoje representa um marco histórico na caminhada da comunidade homossexual. Eu diria um ponto de partida para outras conquistas", afirmou o ministro Celso de Mello.

Julgamento



No primeiro dia de sessão, nove advogados de entidades participaram do julgamento. Sete delas defenderam o reconhecimento da união estável entre gays e outras duas argumentaram contra a legitimação.

A sessão foi retomada, nesta quinta, com o voto do ministro Luiz Fux. Para ele, não há razões que permitam impedir a união entre pessoas do mesmo sexo. Ele argumentou que a união estável foi criada para reconhecer “famílias espontâneas”, independente da necessidade de aprovação por um juiz ou padre.

“Onde há sociedade há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade”, afirmou Fux.

“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.

Preconceito

O repúdio ao preconceito e os argumentos de direito à igualdade, do princípio da dignidade humana e da garantia de liberdade fizeram parte das falas de todos os ministros do STF.

“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”, disse a ministra Ellen Gracie.

“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”, ponderou Joaquim Barbosa.

O ministro Gilmar Mendes ponderou, no entanto, que não caberia, neste momento, delimitar os direitos que seriam consequências de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo. “As escolhas aqui são de fato dramáticas, difíceis. Me limito a reconhecer a existência dessa união, sem me pronunciar sobre outros desdobramentos”, afirmou.

Para Mendes, não reconhecer o direitos dos casais homossexuais estimula a discriminação. “O limbo jurídico inequivocamente contribui para que haja um quadro de maior discriminação, talvez contribua até mesmo para as práticas violentas de que temos noticia. É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”, ponderou.

Duas ações

O plenário do STF concedeu, nesta quinta, pedidos feitos em duas ações propostas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo governo do estado do Rio de Janeiro.
A primeira, de caráter mais amplo, pediu o reconhecimento dos direitos civis de pessoas do mesmo sexo. Na segunda, o governo do Rio queria que o regime jurídico das uniões estáveis fosse aplicado aos casais homossexuais, para que servidores do governo estadual tivessem assegurados benefícios, como previdência e auxílio saúde.
O ministro Dias Toffoli não participou do julgamento das ações. Ele se declarou impedido de votar porque, quando era advogado-geral da União, se manifestou publicamente sobre o tema.

terça-feira, 3 de maio de 2011

RELATO LIBRE CIC - CUBA

RELATO INTERESANTE PARA PROGRAMA “TRANSVERSALIZANDO EL VIH”
PPM/GAPA


APORTE DEL CIC: abril 28, 2011



En la tarde del día 22 de marzo de 2011 se dio cita por parte de la agencia Pan para el Mundo a las Contrapartes de Cuba para reunirse en los locales del Consejo de Iglesias de Cuba. La Transversalización del VIH fue el tema fue introducido por Ulrike Kraner, representante de PPM y el VIH desde una intención de sensibilización fue facilitado por el CIC. Con un total de 27 participantes estuvieron representadas las doce contrapartes en un ambiente agradable y propicio para el diálogo.

El tema central de la tarde fue “VIH y sida”, se motivó a los presentes a participar de la respuesta nacional ante el VIH y a conocer sobre el proceso de Transversalización que PPM está llevando adelante con la asesoría de GAPA Ba y la participación de 12 contrapartes y 10 países de América Latina y el Caribe.

El tema presentado por el CIC ante las contrapartes tuvo los siguientes objetivos:

• Presentar al VIH y el sida asi como la transversalización como método de trabajo para el control de la epidemia y la reducción de daño.
• Enunciar la estrategia de un programa socio-eclesial que contribuye a la respuesta multisectorial ante el VIH
• Compartir las metodologías del CIC para los procesos de formación e iniciativas de comunidades de fe cristiana en Cuba para la prevención del VIH y la atención a afectados

Para ello propusimos tener en mente tres palabras clave
• Transversalización
• Epidemia que avanza
• Intersectorialidad

Para adentrarnos en el tema del VIH se inició con una reflexión, para ello se entregó a cada participante un pequeño sobre con el virus impreso y con tres tarjetitas dentro con las palabras:
• Expuesto al VIH
• Con VIH
• Con sida

Se indicó a los participantes que colocaran cada tarjeta delante en su mesa, al llamado si conocía a alguien “expuesto al VIH”, “con VIH” ó “con sida”
Posteriormente en reflexión comunitaria se emitieron comentarios a la sensación de “Qué sentí” al identificarse con una o varias de las categorías o condiciones de las tarjetas.
Con este tiempo de reflexivo-personal se logró un acercamiento a la realidad del VIH y el sida que sin dudas provoca un daño, un cambio o transformación en las vidas de las personas afectadas.
Finalizamos esta parte con la pregunta abierta ¿nos estamos acostumbrando al VIH?……

El desarrollo del tema central estuvo basada en la idea de que “el VIH y el sida nos convocan” así como en que la transversalización del VIH es una propuesta y una urgencia para finalmente ofertar la experiencia de “un programa socio eclesial que contribuye en respuesta ante el VIH”

La necesidad de compartir las actualizaciones sobre la epidemia mundial y nacional es un foco que atrae personas que ocupan cargos como representativos de una organización y son decisores. De esta manera se inició hablando de la historia en la aparición de los primeras personas con VIH y sida en el mundo justo en los años 80s cuando el hombre de ciencia estaba seguro de que las enfermedades infecciosas habían dejado de ser un problema de salud, es ese el tiempo en que esta arrogancia vino abajo y el VIH y el sida han convocado a personas de diferentes sectores sociales para dar respuestas efectivas durante 30 años de un incesante caminar en búsqueda de prevención para los expuestos al virus y justicia para los que viven con el virus.
Se presentó el nuevo reto para el 2015: INVERTIR EL CURSO DE LA EPIDEMIA
A continuación se citó la frase del representante de ONUSIDA en el pasado Foro internacional en Ecuador liderado por CEDEAL en que éste funcionario expresó que “el VIH ha provocado una epidemia excepcional que requiere de respuestas excepcionales”
A continuación se presentaron los datos estadísticos de la epidemia mundial así como sus efectos en el desarrollo.
Se contextualizó el tema con la presentación del Programa Cubano de Prevención y Control y la expresión de la actual epidemia cubana para llegar a un punto central que es la complementariedad CIC con el trabajo del Ministerio de Salud.
Para hablar de la transversalización se conceptualizó la misma y se presentó la visión desde desde GAPA Ba en base a las definiciones, a la forma en que una organización se incorporta al tema del VIH así como la estrategia para transversalizar el VIH y línea de vida de la transversalización en el actual programa que PPM ha propuesto e implementado conjuntamente con GAPA Ba.
Se introdujo la Institución CIC así como el Area de Diaconía, el Programa Vida y Salud Comunitaria en el Componente VIH
Se presentaron tres interrogantes al grupo para acercar a las contrapartes al tema del VIH:




..¿conocemos cómo se expresa el VIH en nuestra comunidad?¿qué estamos haciendo para prevenir? ¿se están armando desde las diversas perspectivas de la iglesia acciones para el apoyo a los afectados? ….

Más adelante se compartió Línea de vida del CIC en VIH, así como los datos acutales de la epidemia en el mundo, la iglesia en la respuesta al VIH, también la estrategia del CIC para la transversalización desde la Formación General a la Especializada hasta las Iniciativas diacónicas en salud.
Se presentó el enfoque metodológico del CIC para el trabajo en el VIH, se desagregó el principio de la intersectorialidad así como los temas prioritarios por el Ministerio de Salud y su conexión con la intersectorialidad con el Consejo de Iglesias de Cuba.
Se habló sobre la actual experiencia de Capellanía Carcelaria a personas privadas de libertad con VIH como una nueva modalidad explorada por la institución y en la que se está trabajando el VIH en la idea de la transversalización: un todo como institución a la que el programa de salud está dando un aporte.

Finalmente se ofertó a las contrapartes disposición del CIC compartir la experiencia con los que se decidan a ser parte de la la respuesta multisectorial a esta epidemia que probadamente avanza y no muestra señales de decrecer

Este intercambio transitó por varios momentos, el punto de partida fue la reflexión personal en un intento de proximidad personalizada a la realidad de la epidemia cubana y a la necesidad de incluir la voz de las contrapartes de PPM en la respuesta necesaria para disminuir los efectos de la epidemia.

Fue una primera ocasión en que las contrapartes cubanas de Pan para el Mundo en Cuba tuvieron un acercamiento a la temática del VIH y nuestra apreciación es que mostraron interés de manera que tanto en el intercambio formal como en el debate informal posterior a la presentación del tema y en los días consecutivos, al menos tres contrapartes patentaron su intención de convertirnos en “aliados” para participar desde su perspectiva en la respuesta nacional ampliada ante el VIH.

terça-feira, 26 de abril de 2011

RELATO LIVRE DA FLD - BRASIL

Nova abordagem, novos olhares

Juliana Mazurana
Assessora de Projetos da FLD



A Fundação Luterana de Diaconia atua há dez anos no estímulo ao desenvolvimento social e combate à pobreza, através do apoio e acompanhamento a projetos de grupos organizados da sociedade civil de todo território nacional, que promovam qualidade de vida, cidadania e justiça social. Atualmente sua atuação está orientada por três eixos: Promoção da Diaconia (atuação junto à IECLB), Direitos Humanos e Desenvolvimento Sustentável (atuação junto à sociedade em geral) e Sustentabilidade Institucional; e por cinco áreas temáticas: Diaconia, Promoção de Direitos Individuais e Coletivos, Justiça Socioambiental, Justiça Econômica, e Emergências. Com uma equipe de oito pessoas em tempo integral, das mais diversas áreas, além de assessorias em tempo parcial, a FLD tem refletido e desenvolvido formas de inserir o tema HIV/Aids em sua complexa agenda de trabalho, que é ao mesmo tempo um grande desafio e uma oportunidade para a transversalização.

Muitas das ações realizadas (seminário, artigos, participação em eventos e atividades de formação, distribuição de materiais informativos e celebração no dia mundial de luta contra a Aids, dentre outras) tiveram o apoio de organizações parceiras, especialmente vinculadas à IECLB (inclusive com participação da própria presidência da Igreja). Destas reflexões e ações participaram principalmente membros da equipe e de instâncias diretivas da FLD e membros da IECLB (leigos e ministros/as) de diversas regiões do Brasil, que tiveram e terão papel importante na sensibilização e na motivação de outras pessoas de seu Sínodo. Estas atividades foram de grande importância especialmente para o eixo Promoção da Diaconia.


Destacamos aqui o apoio financeiro e metodológico a projetos de HIV/Aids de grupos organizados da sociedade civil. O processo de formação e a participação da FLD no Programa possibilitou uma nova abordagem do tema HIV/Aids e conseqüentemente um olhar mais apurado para estes projetos, um olhar curioso, crítico e inclusive de admiração, especialmente em relação às metodologias desenvolvidas e adotadas. A inserção no Programa também motivou a aproximação com organizações que não receberam ou recebem apoio da FLD. A fim de evidenciar a diversidade de contextos e a riqueza metodológica das experiências optamos por um recorte geográfico (no caso, região metropolitana de Porto Alegre, RS). Descrevemos abaixo algumas experiências neste sentido.

O Núcleo de Estudos da Prostituição – NEP atua desde 1989 junto às mulheres profissionais do sexo de Porto Alegre, RS. Foi pioneiro na região sul no trabalho de promoção da saúde, prevenção das DSTs e cidadania junto às mulheres profissionais do sexo, auxiliando na sua organização para lutar contra o estigma de transmissoras das DSTs. Dentre os diversos projetos e ações desenvolvidos pelo NEP, a FLD apoiou alguns deles: “Cidadania e Saúde para Mulheres Profissionais do Sexo” (2000), “Cidadania e Prevenção” (2003), “Prevenção de DSTs/Aids e Cidadania no Sul do Brasil” (2005) e “Parcerias em Redes: Ampliando ações de Prevenção e Cidadania” (2006). No início do trabalho de 1989 a 1991, cerca de 80% das mulheres envolvidas relatavam ter ou ter tido alguma DST (gonorréia, sífilis, cancro, tricomoníase, etc.). Destas, 60% tinham realizado abortos clandestinos (com agulhas de tricô, sondas, sitotec, etc) e 90% sofriam violência física e preconceituosa da polícia militar e civil (eram presas, estupradas, assaltadas e até mortas). Após anos de trabalho educativo para prevenção e cidadania, de incentivo do uso de preservativos nas relações sexuais, em média 20% das mulheres profissionais do sexo envolvidas relatam a ocorrência de infecção pelas DST (em geral, pelo não uso de preservativos nas relações afetivas); 10% relatam a realização de abortos (realizados em clínicas); 90% relatam o uso constante de preservativos nas relações sexuais com parceiros comercias - no entanto, ainda é baixa a adesão ao uso com parceiros fixos; e 10% relatam sofrer algum tipo de violência por parte da segurança pública. A importância destes projetos e da história de atuação do NEP se confirma no envolvimento das mulheres profissionais do sexo que atuam diariamente na instituição. Contam com multiplicadoras que realizam intervenções face a face em territórios de prostituição na cidade de Porto Alegre, região metropolitana e interior do Estado fortalecendo o vínculo entre estas mulheres e a instituição, incentivando a cidadania e a prevenção às DSTs por meio de práticas sexuais mais seguras.



Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras é uma entidade feminista, coordenada por mulheres negras, que atua desde 1987 na defesa dos direitos humanos das populações marginalizadas e excluídas, principalmente de afro-descendentes e o combate às discriminações sexista, étnico-racial e social. Em sua trajetória de atuação, além de outros apoios e parcerias, Maria Mulher teve projetos apoiados pela FLD, como “Viver sem violência sexual” (2003), “Construindo a Cidadania de Mulheres em situação de violência doméstica” (2005) e “Jovens transformando vidas” (2009) que, dentre outras ações, oportunizaram a ressocialização de adolescentes e mulheres adultas vítimas de abuso sexual, através de sua integração voluntária a experiências de trabalho educativo e produtivo, possibilitando o exercício da cidadania, e promovendo a inserção no mundo do trabalho. Em paralelo, desenvolveram o projeto “Cidadania Positiva” coordenado pela nutricionista Luciana Oliveira, com o objetivo de oferecer às mulheres da Vila Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, que vivem e convivem com HIV/Aids, a oportunidade de geração de trabalho e renda e também reflexões e informações sobre o direito humano à alimentação adequada, para que possam atuar como multiplicadoras modificando a qualidade de suas vidas e da comunidade.

A Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá – ASSOBECATY nasceu há setenta e sete anos, tendo vinte e três anos de atuação como Associação. Com sede em Guaíba, tem como liderança Mãe Carmem de Oxalá (Carmem Lucia de Oliveira). Suas principais ações visam o fortalecimento das religiões de matriz africana, a promoção da cultura e da cidadania, com forte incidência em políticas públicas. Em 2009, integrou com a Associação de Comunicação Conexão Comunitária uma parceria com o “Projeto Rádio Quilombo FM – Foco na Juventude” do grupo Rádio Quilombo do bairro Restinga de Porto Alegre, apoiado pela FLD. Dentre as ações desenvolvidas na área de HIV/Aids está a articulação de lideranças de casas de tradição em nove municípios do RS, e a formação destas pessoas que possuem forte papel multiplicador junto ao seu público de atuação (filhos de santo) e junto aos seus parceiros locais. Mãe Carmem de Oxalá desenvolveu estratégias próprias, para superar a dificuldade inicial que encontrou em inserir esta temática nos terreiros, entendido como espaço de promoção da vida, conflitando, portanto, com o entendimento, até então, da maioria dos Pais de Santo, de que trabalhar o tema da Aids é trabalhar a questão da morte. As metodologias desenvolvidas por Mãe Carmem possibilitaram a relação de elementos da cultura e da religião de matriz afro com as questões de prevenção e ações em relação à HIV/Aids.



A organização Educativa atua desde 2003, no município de Alvorada, RS através de projetos educativos nas escolas da rede pública, junto ao atendimento público de saúde. Também desenvolvem ações de geração de renda especialmente junto às mulheres dos bairros. O tema HIV/Aids está presente de forma direta ou indireta em praticamente todos seus projetos, informando, orientando e capacitando o público, em geral adolescentes, jovens e mulheres, nesta temática. Dos diversos projetos já executados, a FLD apoiou três deles “Inclusão Digital: informática como possibilidade de inserção e reintegração social” (2006), “Trocando letras” (2007) e “Saúde, Câmera, Ação!” (2010). Este último está em execução e visa a produção de um audiovisual por um grupo de jovens, como processo de sensibilização sobre os temas DSTs, HIV e Aids, uso e abuso de drogas, direitos humanos, auto-estima e cidadania. A música também é parte do processo educativo, já que os/as jovens envolvidos/as compõem o grupo musical Nação Periférica. Estes jovens tem se tornado referência para os demais, o que torna estratégico a formação em HIV/Aids, especialmente de forma criativa e agradável. Além dos resultados do processo, o próprio vídeo será instrumento pedagógico que poderá ser utilizado por professores das escolas.

O ASPA – Apoio, Solidariedade e Prevenção à Aids atua na região do Vale dos Sinos, desde 1992. Foi fundado por um grupo de estudantes da Escola Superior de Teologia – EST (instituição vinculada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB), incentivados pelo professor Ricardo Wangen. Através de diversos projetos, ao longo dos anos, trabalha na prevenção do HIV/Aids, hepatites virais, outras DST e tuberculose, bem como na defesa dos direitos humanos de diversos grupos como população LGBT, população em situação de rua, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas. As ações têm por objetivo informar, aconselhar, encaminhar para os respectivos serviços públicos, promover a formação de multiplicadores por meio de assessorias e palestras junto a adolescentes, empresas e outras instituições. Também atua na sensibilização dos meios formadores de opinião. Além dos projetos continuados e dos eventos especiais, o ASPA participa de diversos fóruns e espaços de controle social.


A Casa Fonte Colombo – Centro de Promoção da Pessoa Soropositiva – HIV, vinculada a Igreja Católica fundada em 1999, atua, com ajuda de muitos voluntários qualificados e compromissados, junto às pessoas soropositivas e com seus familiares. Seu trabalho inclui desde ações de prevenção, acompanhamento, reestruturação de laços familiares e reinserção social, na perspectiva de contribuir no controle da epidemia. Dentre as diversas atividades oferecidas estão a promoção de atividades de formação sobre prevenção, saúde e cidadania, incentivo e acompanhamento dos exames e do tratamento, serviços que contribuem com a melhora da qualidade de vida como massoterapia, enfermagem, psicologia, reiki, higiene pessoal, corte de cabelo, além de apoio no encaminhamento de documentos e na marcação de exames e consultas. A suficiente e adequada alimentação é fundamental para qualquer pessoa, e não menos importante para pessoas soropositivas. Além de influenciar diretamente na capacidade do organismo de reagir perante o vírus, ou doenças associadas, a dieta tem estreita relação com o tratamento com antiretrovirais, sendo muitas vezes, fator de não adesão, ou de desistência do tratamento. Dentre os diversos fatores envolvidos na vida de soropositivos, a alimentação é de grande importância, mas nem sempre abordado pelas instituições que atuam em HIV/Aids. A Casa Fonte Colombo tem aí um grande diferencial. Desde 2007 participa do Programa de Aquisição de Alimentos da CONAB (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) recebendo alimentos orgânicos mensalmente da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (ECOCITRUS). Hortaliças, frutas, mandioca, moranga, abóbora, suco de uva e tangerina, dentre outros alimentos são oferecidos através de uma refeição diária aos freqüentadores da casa, sendo ainda distribuídos para que possam preparar e consumir em casa. O alimento orgânico, comprovadamente mais nutritivo e saudável, oferecido a este público, contrapõe uma “lógica” oportunista de mercado que vem se consolidando. A experiência da Casa Fonte Colombo (e da ECOCITRUS) demonstra a possibilidade de potencializar ações, contribuindo tanto para o controle da epidemia – e para a qualidade de vida de quem vive e convive com HIV/Aids - como para o fortalecimento de uma agricultura de base ecológica com forte papel social.






Todas estas organizações participam de espaços de articulação, discussão e incidência política, a exemplo dos Conselhos Municipais, Foruns Estaduais, GT Aids e Religião da secção DST/ Aids da Secretaria Estadual da Saúde, dentre outros.

Muitas outras experiências vêm se somando a estas, ao longo dos anos. Um caminho percorrido, com muitos desafios, muitas aprendizagens, muitas conquistas. A FLD aprende com elas ao apoiar ou se aproximar, e aprende constantemente a voltar a olhar, e ver o que antes não tinha visto!

Para mais informações consultar:
www.neppoa.org.br
www.mariamulher.org.br
templodeyemanja.blogspot.com ou rededenucleosdeilesafroaids.blogspot.com
www.educativars.blogspot.com
aspa-osc.blogspot.com
www.fontecolombo.org.br